Há salvação fora da igreja?
Ainda que involutariamente, o questionamento atravessa séculos, permanecendo e provocando discussões entre cristãos.
Por João Neto
''Perdi um amigo que não chegou a freqüentar nenhuma igreja evangélica. Porém ele acreditava em Deus e reconhecia o Seu poder. Ele foi salvo?''. Esse pode ser o questionamento de muitos cristãos que passaram pela perda de amigos, parentes ou até mesmo do cônjuge. Uma pessoa que freqüenta a igreja dá sinais da fé que professa, mas será que essa prova é necessária para a salvação do homem?
Em entrevista ao Guia-me, o pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória (ES), Hernandes Dias Lopes, mostrou que tal indagação possui uma complexidade maior do que se imagina. Segundo o teólogo, quando fala-se em Igreja, pode-se fazer referência à igreja visível (instituição, templo, denominação) e à invisível (corpo de Cristo). ''A grande questão é definir o que é Igreja. A salvação não pode ser desvinculada da Igreja se a entendemos como corpo de Cristo, a noiva do Cordeiro, a igreja invisível. É possível que alguém faça parte da igreja invisível sem ser membro da igreja visível'', lembrou.
Para responder parte deste questionamento, Rev. Hernades cita dois exemplos específicos, o de um dos ladrões crucificados ao lado de Jesus (Lc 23:32-43) e o de Judas (Mt 27:5): ''O ladrão na cruz, arrependido, não teve tempo de ser batizado nem de filiar-se a uma igreja [visível]'', expôs o reverendo, lembrando que, por reconhecer Jesus como filho de Deus naquele momento e aceitá-Lo como seu salvador, o infrator já estava salvo, fazendo parte assim da igreja invisível. ''É possível também, alguém ser membro da igreja visível e não ser membro da igreja invisível. Judas foi apóstolo de Cristo e não foi salvo''.
Apesar de afirmar que a salvação não necessita da igreja como instituição, Hernandes Dias Lopes reiterou a importância da comunidade no cotidiano cristão e do batismo como forma de integração à vida comunitária. ''Isso não é uma desculpa para deixar de fazer parte da igreja visível. Precisamos ser integrados à comunhão da igreja pelo batismo (Mt 28.19,20). Um crente que despreza a comunhão dá provas que não pertence ao corpo de Cristo'', afirmou.
Comunhão: caminho para conhecer a DeusEm seu livro ''Janelas para a Vida - Espiritualidade do Cotidiano'', o Pastor da Igreja Presbiteriana do Planalto (DF), Ricardo Barbosa de Sousa, assume que se questionou a respeito da importância da igreja em sua vida durante sua juventude: ''Será que o que eu experimento nela, eu não conseguiria noutro lugar?"; "Será que não me tornei um dependente eclesiástico, daqueles que, por não saberem conviver consigo mesmos, por terem medo da solidão, precisam da comunidade?". "Responder esta pergunta foi pra mim uma tarefa mais que teológica, era existencial''.
Confirmando o raciocínio proposto pelo Rev. Hernandes, Ricardo Barbosa lembra da importância da comunhão como um fator inerente ao ser humano. ''O verdadeiro ser é uma pessoa livre, uma pessoa que livremente ama, que livremente afirma sua identidade numa comunhão com outra pessoa. Afirmamos que cremos num único Deus porque cremos numa comunhão tão perfeita de amor e entrega que não vemos três, mas um único e indivisível Deus onde a comunhão precede e determina o ser'', afirma.
A base bíblica para que Souza cite a importância da comunhão praticada na Igreja vem das palavras do próprio Cristo, as quais recebem a interpretação do teólogo. ''O conhecimento de Deus só é possível a partir da compreensão e aceitação dessa comunhão, pelo fato de Ele mesmo não existir fora dela. Jesus afirmou: "Ninguém sabe quem é o Filho, senão o Pai; e também ninguém sabe quem é o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar". Esta declaração demonstra o quanto o ser de Deus é intrinsecamente relacionado; o quanto o conhecimento depende da comunhão''.
Agência Exclusiva de DeusPastor da Igreja Presbiteriana Central de São Vicente (SP), o Rev. Fábio Ciribelli lembra a importância da Igreja como ''agência exlusiva do reino de Deus'', recorrendo à passagem bíblica de Efésios 3.8-12. ''Em minha avaliação encontro a Igreja (organismo ou 'invisível' e organização ou 'visível') como 'agência exclusiva do Reino de Deus' entre 'principados e potestades nos lugares celestiais' e 'homens e mulheres' na terra'', afirma.
Ainda no livro de Efésios, Pr. Ciribelli lembra que a igreja não é a responsável pela salvação do indivíduo, mas sim quem a proclama, anuncia tal possibilidade e mantém a fé do indivíduo enqüanto cristão. ''Em Efésios 3.8-12 (ela anuncia em todo tempo os 'desígnios de Deus e a multiforme sabedoria de Deus'). Passamos por Romanos 10.16-21 (a ininterrupta pregação do evangelho, que alcançará a toda criatura). Por I Co 1-9 ( pela igreja Deus habilita o seu povo e com sua graça o sustenta na fé). E, por fim, podemos ficar com Efésios de novo 4.7-16, mostrando o papel de equipar os santos para toda boa obra feito pela igreja'', expõe.
O fato de a Igreja não poder caminhar sem a orientação divina não deixou de ser lembrado por Ciribelli, que citou dons espirituais como fatores de aperfeiçoamento da comunidade. ''Em Filipenses, Paulo fala que é Deus quem opera em nós tanto o querer como o realizar e em Efésios Paulo diz que Jesus Deus dons de apóstolo, profetas, evangelistas, pastores e mestres para aperfeiçoar a igreja na vida cristã e em todo o seu papel de sustentação da salvação'', conclui.
terça-feira, 19 de maio de 2009
domingo, 17 de maio de 2009
Testemunho do Pastor Ricardo Barbosa de Souza
É na comunhão com Deus, família e igreja que entro em contato com a relaidade de quem eu sou. Como pastor, ouço muitos criticarem a igreja, declararem sua rejeição pelos que consideram chatos e inoportunos, sua intolerância aos rituais monótonos e repetitivos, sua impaciência para com as mudanças, sua intolerância para com os diferentes, etc.
As críticas, na maioria das vezes, procedem, têm argumentos lógicos e pertinentes. Talvez, para muitos, seria mais fácil e simples viver ilusões do mundo impessoal.
Quando viajo e participo de congressos onde sou convidado para falar, normalmente as pessoas por gentileza ou sinceridade, me elogiam, me tratam com respeito e admiração, alguns chegam até a se emocionar. No entanto, quando volto para casa, minha esposa e filhos não se impressionam facilmente com o que faço. Apenas me amam como eu sou. O mesmo acontece em minha igreja.
Nestes lugares minhas relações são mais pessoais porque minhas fraquezas são expostas, minha humanidade caída e reconciliada pelo poder de Cristo é conhecida.
É neste mundo de relacionamento pessoais que sou lembrado a olhar para mim mesmo, a tocar na minha realidade. Se vivesse sempre viajando, falando, relcebendo elogios, sendo tratado com deferência, cedo ou tarde perderia o senso de realidade porque perdi a vida de comunhão.
Preciso de família e da igreja, preciso da comunhão pessoal para presercar-me cristão e humano.
Se as pessoas rejeitam a comunhão por achá-la chata , enfadonha, complicada, é porque ainda resistem ao amor, à entrega e ao encontro real consigo mesmas. É somente na comunhão, na superação do egoísmo, na aceitação do outro, que eu me encontro comigo na presença e Deus.
Fora de um relacionamento pessoal não há conhecimento objetivo de nós mesmos. Mas a relação entre pessoa e a igreja é determinada pelo relacionamento entre a pessoa e Cristo. O ser nova criatura em Cristo é provar o poder de uma nova humanidade que se realiza na experiência da comunhão.
A comunhão através das relações pessoais é o coração da realidade. O Deus Triúno da graça nos liberta do individualismo autônomo e refaz em nós, pelo poder do seu Espírito, na mediação de Cristo, um novo homem à imagem de Deus. O encontro com o Deus Triúno é a conversão radical dos nossos relacionamentos, transformando a natureza corrompida das nossas famílias e igejas em verdadeiras comunidades onde cada pesssoa e nutrida e amada com respeito, valor e identidade próprios de cada um.
Casa vez que nos assentamos ao redor da mesa da eucaristia e recebemos a dádiva da vida de nosso Senhor atrav
es da comunhão do pão e do vinho, estamos reafirmando nossa vocação comunitária. O "eu" se transforma num glorioso "nós". Ao redor da mesa a igreja encontra sempre sua plenitude e significado. Estas são algumas razões pelas quais eu aindo preciso da igreja.
Pastor Ricardo Barbosa de Souza
As críticas, na maioria das vezes, procedem, têm argumentos lógicos e pertinentes. Talvez, para muitos, seria mais fácil e simples viver ilusões do mundo impessoal.
Quando viajo e participo de congressos onde sou convidado para falar, normalmente as pessoas por gentileza ou sinceridade, me elogiam, me tratam com respeito e admiração, alguns chegam até a se emocionar. No entanto, quando volto para casa, minha esposa e filhos não se impressionam facilmente com o que faço. Apenas me amam como eu sou. O mesmo acontece em minha igreja.
Nestes lugares minhas relações são mais pessoais porque minhas fraquezas são expostas, minha humanidade caída e reconciliada pelo poder de Cristo é conhecida.
É neste mundo de relacionamento pessoais que sou lembrado a olhar para mim mesmo, a tocar na minha realidade. Se vivesse sempre viajando, falando, relcebendo elogios, sendo tratado com deferência, cedo ou tarde perderia o senso de realidade porque perdi a vida de comunhão.
Preciso de família e da igreja, preciso da comunhão pessoal para presercar-me cristão e humano.
Se as pessoas rejeitam a comunhão por achá-la chata , enfadonha, complicada, é porque ainda resistem ao amor, à entrega e ao encontro real consigo mesmas. É somente na comunhão, na superação do egoísmo, na aceitação do outro, que eu me encontro comigo na presença e Deus.
Fora de um relacionamento pessoal não há conhecimento objetivo de nós mesmos. Mas a relação entre pessoa e a igreja é determinada pelo relacionamento entre a pessoa e Cristo. O ser nova criatura em Cristo é provar o poder de uma nova humanidade que se realiza na experiência da comunhão.
A comunhão através das relações pessoais é o coração da realidade. O Deus Triúno da graça nos liberta do individualismo autônomo e refaz em nós, pelo poder do seu Espírito, na mediação de Cristo, um novo homem à imagem de Deus. O encontro com o Deus Triúno é a conversão radical dos nossos relacionamentos, transformando a natureza corrompida das nossas famílias e igejas em verdadeiras comunidades onde cada pesssoa e nutrida e amada com respeito, valor e identidade próprios de cada um.
Casa vez que nos assentamos ao redor da mesa da eucaristia e recebemos a dádiva da vida de nosso Senhor atrav
es da comunhão do pão e do vinho, estamos reafirmando nossa vocação comunitária. O "eu" se transforma num glorioso "nós". Ao redor da mesa a igreja encontra sempre sua plenitude e significado. Estas são algumas razões pelas quais eu aindo preciso da igreja.
Pastor Ricardo Barbosa de Souza
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